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Cias Aéreas

Airbus: É o fim do A380?

O boato é forte. Voei um par de vezes nesse avião, que é o maior do mundo e ele realmente é muito grande. O aeroporto precisa estar MUITO preparado pra receber tantos os passageiros quanto o cargo. A quantidade de pessoas que ele é capaz de acomodar requer uma estrutura de fingers e terminal fora do sério. As empresas não querem que você fique em fila durante muito tempo então tudo é projeto para aumentar o conforto (ou seria diminuir o desconforto) de passar pelo aeroporto.

As operações do A380 começaram em 2005 (11 anos atrás) e alguns anos depois a Airbus já enfrenta dificuldades pra encontrar compradores. Seria o A380 o novo concorde?.

Saiu no Wall Street Journal, Bloomberg, TheGuardian, etc, só pra citar alguns jornais referência. Você deve ter visto.

No Brasil, a noticia foi replicada pela Exame (aqui), Infomoney (aqui) e Bloomberg Brasil (aqui), entre outras fontes.

Aparentemente, o único cliente expressivo atual do A380 é a Emirates.

Mas, por que as cias aereas não querem o A380? Eis algumas razões:

É muito grande: a asa do avião é muito maior do que a média dos aeroportos ao redor do mundo foram projetados para comportar. Isso quer dizer que há um monte de lugares que não ele não pode pousar. A maioria das companhias aéreas não gostam disso; isso tira a flexibilidade das operações e obriga a operar em determinados aeroportos (certamente os mais caros).
É muito pequenos no interior: Li por aí que as cias aéreas não conseguem fechar os cálculos. Mesmo espremendo os passageiros para chegar a um valor alvo de dólares x passageiro por milha voada, não dá espaço suficiente nem pra carga, o que reduz a margem e a receite esperada para cada voo.
Não é eficiente de combustível: mesmo com os preços mais baixos do petróleo a despesa operacional número 1 para qualquer cia aérea, é sem dúvida o preço do petróleo, que continua a ser uma grande preocupação. Quando os preços voltarem a subir, as cias não vão querer uma frota ‘gastona’.

Limita Operações: o A380 carrega tanta gente que é avião pra um vôo só por dia. Você não pode fazer uma série de escala assim como um A320 ou Boeing 737 fazem para diluir os custos e aumentar as receitas. Um voo por dia apenas significa menor flexibilidade, o que significa de cara que é acertar ou acertar. Agora imagina o atraso de um A380 ou o defeito de algum deles mantendo todos os mais de 500 passageiros no chão pra viajar só no outro dia. Sacou o prejuízo?

É a definição do luxo: 98% dos passageiros buscam sua cia aerea pelo preço. Facilidades por facilidade não importa muito se o preço for muito superior. Afinal, melhor gastar uns reais a mais no hotel do que durante poucas horas dentro de um voo. O problema é que o A380 não foi feito pra acomodar esse tipo de passageiro. Ele é um avião caro porque possui muitos diferenciais dos wide-body tipo 777 ou dos narrow-body tipo 737, mas os custos também justificam. Só aí temos mais um problema: quais cias tem cacife pra bancar um avião de luxo pra um segmento só de clientes?

Histórico da Airbus: Tentei permanecer neutro por um bom tempo, em grande parte porque eu acho que um duopólio é infinitamente melhor para a indústria do que um monopólio, mas não dá pra segurar. Faça a sua listinha dos últimos 20 acidentes aéreos fatais ao redor do mundo e me diga quais foram da Airbus e quais foram da Boeing. Pois é, né? Não é que um Airbus seja menos seguro, mas a opinião geral dos pilotos quando envolvidos com alguma investigação é que a Boeing é muito mais interessada em defender o lado do piloto do que a Airbus. Mesmo quando uma falha acontece e é comprovada, a Airbus tende a se posicionar como se a falha fosse “impossível” porque o avião deles seria, supostamente, muito superior. Conversando com vários pilotos ao redor do mundo, a opinião é clara “Airbus” é para preguiçosos e a “Boeing” é para os pilotos de verdade. A Boeing foca na experiência do piloto para que ele possa ter todas as ferramentas a mãos para decidir o que fazer em um momento de emergência, já a Airbus não – eles querem automatizar a aeronave inteira para que – mesmo em uma emergência – o computador decida por si só o que fazer.

É como um Rolls-Royce: imagina um SUV da Rolls-Royce que transporta 15 pessoas, só tem espaço para bagagem de 10 pessoas, é grande demais para caber em um espaço de estacionamento normal, e é grande demais para dirigir na maioria das estradas. Mas é um Rolls-Royce. A definição de luxo.

Ninguém se surpreende em saber que um SUV da Rolls-Royce não vende como um SUV da Chevrolet, certo?. É isso.

Airbus: É o fim do A380?
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